20.11.05

 

O "embuste" da chegada à Lua

 
Será que o homem realmente chegou à Lua nos anos 60? Claro que sim! Mas existem algumas pessoas que dizem que tal facto é mentira (talvez os teus avós :) ). Eles pensam que a NASA (a agência espacial dos Estados Unidos) falsificou as aterragens. Na verdade seria mais difícil falsificar toda o acontecimento do que foi para o fazer acontecer! Mas muitas pessoas estão confusas com o assunto e pediram à NASA para clarificar a situação.

A confusão começou com um programa de televisão nos Estados Unidos chamado " A Teoria da Conspiração: Nós Aterrámos na Lua?". O programa entrevistou pessoas que pensavam que a NASA não sabia como chegar à Lua. Elas pensavam que os Estados Unidos queriam tanto bater a ex-União Soviética na Lua, que utilizaram estúdios de cinema para fazer de conta que lá iam! Mas elas não pensavam só que a NASA falsificou tudo; elas também pensavam que a NASA nem a falsificação sabia fazer! Estas pessoas da Teoria da Conspiração afirmaram que existiam montes de "erros". Bem, vamos observar alguns deles.

O astronauta Buzz Aldrin
na Lua em 1968

Visão de metade da Terra sobre o horizonte lunar
Estrelas no Céu Lunar
As imagens enviadas da Lua não incluem estrelas no escuro céu lunar. Como é que tal foi possível? O pessoal da NASA que filmou esqueceu-se de apontar para as estrelas? A maior parte das pessoas que tira fotografias sabe a resposta: é difícil tirar a fotografia de algo muito brilhante e algo muito obscuro na mesma foto. Já viste um programa de TV ou filme com cenas de exterior durante a noite? Da próxima vez que vires um, olha para as estrelas no céu. Tu não as irás ver porque elas são muito obscuras para que a câmara as veja.
Uma Bandeira Flutuante
Toda a gente já viu o vídeo dos astronautas a espetar a bandeira dos Estados Unidos na Lua. Tu podes ver a bandeira a curvar e ondular. Como pode ser possível? Não existe brisa na Lua para fazer mover a bandeira. Bem, quando os astronautas espetaram a bandeira eles abanaram-na para trás e para a frente para que ela entrasse no solo. Na Terra, isso teria feito a bandeira "ondular" durante alguns segundos, e depois parar. Mas isso é porque na Terra a bandeira faz pressão contra o ar à medida que se agita e o ar fá-la abrandar. Na Lua, não havia ar para fazer parar o movimento da bandeira. Pelo que o movimento continuou, tal como a Primeira Lei da Física de Newton diz que deve. Pelo que, é claro, o pano da bandeira ondulou para a frente e para trás prendida na haste de metal que a segura.

O programa da TV tinha muitas outras "provas", mas elas são também muito facilmente desmentidas. Mas outra resposta é: basta o senso comum.

Por exemplo, a Rússia, a China, a ex-Alemanha de Leste e outros países eram, na altura, muito pouco amigáveis em relação aos Estados Unidos. Eles observavam de muito perto tudo o que era feito. Era muito fácil dizer se os sinais rádio da Apolo vinham da direcção da Lua. Se algo parecesse errado, estes países pouco amigos certamente teriam dito ao mundo que os Estados Unidos estavam a pregar uma peta! No entanto, nenhum deles pôs em causa o sucesso da Nasa. Quando mesmo os teus inimigos te dão crédito por alguma coisa, é muito convincente!

Existem também os 381.5 kg de prova: as rochas da Lua que os astronautas da Apolo trouxeram para a Terra. As rochas são muito diferentes das rochas da Terra.

Foto de astronautas a espetarem a bandeira americana na Lua
O astronauta Buzz Aldrin na Lua em 1969
A Primeira Lei de Newton:
Qualquer corpo em descanso tende a ficar em descanso e qualquer corpo em movimento tende a ficar em movimento, a não ser que uma força externa actue sobre ele.
"As rochas da Lua são verdadeiramente únicas e diferentes de muitas formas das rochas da Terra", diz o Dr. David Mckay, do Centro Espacial Johnson da Nasa. O David trabalha no Centro Laboratorial de Amostras Lunares onde a maior parte das rochas da Lua são guardadas. "Muitos museus deixam o público tocar e examinar rochas da Lua", diz o David. O David diz que falsificar uma rocha da Lua para enganar os cientistas de todo o mundo seria próximo do impossível. "Seria muito mais fácil simplesmente ir à Lua e trazer uma!", diz ele.

"Os investigadores em centenas de laboratórios examinaram as amostras lunares da Apolo, - e nem sequer um alguma vez colocou em causa de onde as rochas vieram. Estas também não são pessoas da NASA - mas são cientistas em dúzias de países a quem nós emprestamos amostras de rochas da Lua."

Estas são outras razões do senso comum para acreditar que a NASA enviou homens à Lua. Nove dos 12 homens que caminharam na Lua ainda estão vivos, e são pessoas honestas e credíveis. E a NASA teria que ter metido muitos e muitos engenheiros na peta. Esses engenheiros eram apenas pessoas normais, a fazer um trabalho excitante. Estaria cada uma dessas pessoas disposta a participar no truque e mentir sobre isso durante 30 anos? Nós temos a certeza que nenhum dos visitantes EiClicAqui o faria!

O programa A Teoria da Conspiração será divertido de observar, mas se passar numa televisão perto de ti, vê se não acreditas nele! As esforçadas e engenhosas pessoas que nos levaram à Lua devem ser elogiadas pelo seu sucesso e o seu espírito pioneiro. Apesar do trabalho de explorar o espaço esteja agora entregue a uma geração mais nova de engenheiros, nós estamos todos orgulhosos com o que a NASA conseguiu.

Topo
: uma grande rocha lunar teve a alcunha de "O Grande Mocho", pesando 11.7 kg. Esta rocha foi a maior trazida para a Terra pelos astronautas da Apolo.
Baixo: uma vista de grande plano mostrando pequeninas crateras causadas por micrometeoritos, um efeito não visto em quaisquer rochas da Terra porque os meteoritos pequenos queimam lá em cima, na atmosfera da Terra.
O Programa Espacial Apolo
O objectivo do programa Apolo, criado pelo presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy em Mio de 1961, era o de aterrar homens na Lua e traze-los em segurança de volta à Terra.

O programa Apolo fez isto e mais. Existiram muitas missões não tripuladas e 11 missões com tripulações a bordo. Estas 11 incluíram duas missões em órbita na Terra, duas missões de órbita lunar, um voo lunar e seis aterragens na Lua.

A primeira missão com uma tripulação, foi lançada a 11 de Outubro de 1968. A primeira aterragem na Lua pela Apolo 11 foi menos de um ano mais tarde, a 20 de Julho de 1969. A missão final de aterragem na Lua, a Apolo 17, tocou no solo da Lua a 11 de Dezembro de 1972.

Seis missões Apolo - as Apolos 11, 12, 14, 15, 16 e 17 - aterraram com humanos na Lua. Na superfície lunar, os astronautas fizeram muitas experiências científicas para aprenderem tudo o que pudessem sobre a Lua.

A Apolo 13 não foi capaz de aterrar na superfície lunar devido a problemas na nave espacial, mas recolheram fotos da Lua durante um movimento de vaivém à volta da Lua.

14.11.05

 

Passeio no espaço

O astronauta Jim Reilly sabe como é que é andar no espaço. "Uma das minhas memórias favoritas é estar pendurado com uma mão na Estação Espacial e balançando tanto que eu podia ver toda a Terra. Tu podes ver muitos dos detalhes da superfície. Uma vez eu tive a chance de estar pendurado na parte de baixo da Estação quando o pôr do sol estava a acontecer. Na medida em que o sol descia, as estrelas começaram a aparecer abruptamente. No espaço elas têm tamanhos diferentes e mesmo cores diferentes. Durante a noite podes ver flashes dos relâmpagos das tempestades na superfície lá em baixo. E quando eu estava a ver tudo isto, nós voámos pelas bordas da aurora, um tipo de cortinas verdes e brancas."

Astronauta Jim Reilly, Especialista de Missões

A Aurora, fotografada em 1991 na Space Shuttle Discovery
Bastante espectacular, mas os astronautas que andam no espaço não podem estar a ver coisas durante muito tempo. Os seus trabalhos arriscados exigem toda a sua atenção. Um movimento descuidado pode enviá-los a girar pelo espaço. Trabalhar no espaço é muito mais difícil do que trabalhar na Terra. A coisa mais importante, diz o Jim Reilly, é ter calma.
Os astronautas treinam debaixo de água na Terra, que dá uma sensação muito próxima de estar em gravidade zero. " A água ajuda a retardar os teus movimentos", diz o Jim. "Tu podes fazer coisas que se as fizesses no espaço, ficarias fora de controlo".
Se aparafusares um parafuso no espaço, não existe nada para ficares seguro e tu podes empurrar-te a ti próprio muito rapidamente. "Tu aprendes", diz o Jim, "a trazer-te a ti próprio para parar e depois ficares tu próprio imóvel. Depois, tu podes fazer o que tem de ser feito".
Mas não é só com a ausência de peso que os astronautas têm de lidar. O fato espacial é volumoso e duro para trabalhar lá dentro. O fato é pressurizado, assim como o do futebol americano, pelo que é difícil dobrá-lo.
 

O astronauta Jim Reilly na câmara de compressão, pronto a sair para um passeio.

322 kms por cima da Terra, trabalhar lá fora tem um significado completamente diferente.

Os fatos espaciais não muito fáceis de usar!
Para os tornar mais fáceis para os astronautas se moverem, os fatos têm junções nos cotovelos, nos ombros e nos joelhos. Mas mesmo assim eles não dobram muito. Tu só tens a área mesmo à tua frente para trabalhares.

Por exemplo, se tu quisesses agarrar num objecto para o colocar ao lado, tu não irias simplesmente chegar a ele como farias na Terra. A junção do ombro só dobra de frente para trás, não lado para lado. Tu poderias mover o teu braço lateralmente dobrando o braço inflado do fato, mas isso exige muito esforço. É mais fácil moveres todo o teu corpo até que fiques de frente para o objecto e depois chegar a ele.

As luvas, diz o Jim, são especialmente difíceis. Elas são construídas de forma a caberem na tua mão relaxada. Mas quando tu abres a mão, tu empurras de encontro à luva. Imagina que sempre que abriste as mãos, tu foste de encontro a uma faixa de borracha que mantém os teus dedos fechados. Após algum tempo, o teu braço começaria a sentir-se cansado. E, sempre, existe o constante barulho alto do ventilador que move o ar dentro do fato. Mas o Jim disse que se habituou ao fato, e já não ligava muito a ele.

O Jim disse que a melhor coisa de andar no espaço era parar para olhar à volta. "De vez em, só durante 10 segundos, eu parava e olhava à volta", diz o Jim, "e via sobre que parte do planeta eu estava. Era mesmo uma alegria fazer esse trabalho. Espero ter a hipótese de o fazer novamente!"
 
 
Actividade ExtraVeicular (EVA)

Sair de uma nave espacial apenas com um fato é perigoso mas excitante. A NASA chama a um passeio uma Actividade Extraveicular ou EVA ( do inglês, Extravehicular Activity).

Estar preparado para uma EVA, leva bastante tempo. Primeiro, o astronauta faz exercícios numa bicicleta estacionária enquanto respira oxigénio puro. De seguida, a pressão à sua volta é baixada para todos, mas na Estação Espacial, os astronautas que andam no espaço entram na área externa da câmara de compressão e a pressão é apenas baixada aí. Finalmente, o astronauta coloca-se no volumoso fato e respira o ar do fato durante mais uma hora. Finalmente, é altura de desligar a energia do fato vinda da Estação Espacial e, cabeça para fora.

Estar lá fora numa EVA é uma das experiências mais fantásticas que os astronautas têm. Porque existe muita pouca atmosfera, as estrelas não cintilam mas brilham como diamantes fixos num campo preto de veludo.

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